Esta não é a história da BUGA.

Historias da BUGA Equipa Mosaico 1.3

Apesar de em algumas histórias se contarem episódios importantes dessa história. E, de alguns dos protagonistas serem os mesmos que figurariam nessa história singular de uma Bicicleta de Utilização Gratuita que está nas ruas de Aveiro desde o início deste século.

Nestas histórias não há nenhuma personagem ficcional. Não que saibamos. Não foi tipificado o utilizador da BUGA a partir de dados demográficos, ou outros. Nem foi establecido um percurso narrativo baseado na utilização ou não utilização da bicicleta na cidade de Aveiro.

O cenário não obedece à unidade de tempo ou espaço, salvo o período da recolha e os limites da cidade de Aveiro. Mesmo estes limites foram desrespeitados por quem nos contou as histórias. Indiferentes ao intervalo compreendido entre a ideia da BUGA e o presente. E, nem sempre escolhendo memórias passadas dentro dos limites do concelho.

Só a recolha teve estes preceitos.

Ao procurar as histórias partimos sempre da BUGA. Os entrevistados foram sempre escolhidos por terem alguma relação possível com a BUGA e as entrevistas decorreram quase sempre em Aveiro. Com excepção de um par de conversas por telefone que não se puderam realizar em Aveiro por motivos de circunstância. Ainda assim, cada conversa foi sempre sobre Aveiro e sobre a BUGA.

Ainda assim há histórias que não mencionam a BUGA. É possível entender quais e o porquê de permanecerem nesta selecção conhecendo os dois percursos utilizados na recolha.

Num as histórias foram recolhidas na rua, em Aveiro, abordando quem estava a utilizar um BUGA, ou ciclistas que não estavam a usar a BUGA apesar de estarem próximos do ponto onde ainda é possível recolher uma destas bicicletas gratuitamente.

Noutro, incluímos de forma mais sistematizada “os interessados na BUGA”. Entre eles, os que participaram do projecto no passado, os s que trabalhavam nessa altura na actualização do projeto, e, os que terão uma palavra a dizer sobre o seu futuro.

Procurando construir um tecido diverso mas coeso de histórias foi dada prioridade às boas histórias. Isto é, às histórias de facto. Deixando de fora os discursos sobre a BUGA. Porque ao colocar lado-a-lado as histórias com as não-histórias teríamos perdido o essencial da experiência para quem as consultasse. Equivalendo agendas cuidadas com o descuido de quem conta sem cuidar, deixando-nos a responsabilidade de, pelo contexto oferecer resguardo à história que nos é confiada.

No final a densidade e diversidade das histórias incluídas parece garantir o que se pretendeu. A experiência da deriva por entre as histórias está vincada na forma como quer online, quer em eBook as histórias não obedecerem a uma ordenação pré-determinada.

Ao pesquisar um padrão, encontramos na maioria das vezes histórias bastante diferentes, mas também algumas que se aproximam até parecerem repetidas. Parece-nos uma consequência inevitável da dimensão da amostra que conforme crescia revelava padrões difíceis de contrariar. As histórias com pessoas que vêm do Porto para Aveiro em trabalho, ou o abandono da bicicleta por muitos com o nascimento do primeiro filho são disso exemplo.

O esforço colocado para encontrar boas histórias vendendo caro o aborrecimento de ter histórias demasiado parecidas para contar é um contributo inerente a esta forma de recolha. Este tique de contador de histórias que procura sempre o entusiasmo de quem o ouve é, apesar de não evidente, um dos contributos mais importantes e distintos que um contador de histórias oferece à pesquisa e à consequente tomada de decisão.

Esta recolha foi produzida no âmbito de um projecto mais amplo onde foram incluídos de forma extensa dados de natureza estatística e o posicionamento técnico a partir desses dados. Aparece por

isso como um instrumento complementar para oferecer rostos humanos nos dados que, por mais precisos que sejam, são por defeito emocionalmente áridos. Aqui estão finalmente contidos, sobretudo, os contributos desinteressados de muitas pessoas que procurámos tratar cuidadosamente. Esperamos que qualquer uso posterior seja igualmente sensível a este donativo.

Estas histórias foram recolhidas e publicadas, online e em eBook, por iniciativa da Câmara Municipal de Aveiro como parte do plano de comunicação e estímulo à participação Cívica para a regeneração da BUGA no âmbito do projeto europeu SITE (Smart Ticketing for Mobility in Europe) tendo como principais parceiros a Universidade de Aveiro e a TRANSITEC.

Agora, com estas histórias disponíveis em historiasdabuga.aveiro.pt, e neste eBook. Tal como nós encontrámos histórias, tão diferentes que se encontravam sempre com Aveiro e com a sua bicicleta, outros encontrarão a sua história aqui. Algumas que ainda nem aconteceram para poderem ser contadas. Muitas com a BUGA. 

Alexandre Lemos, 2015

Historias da BUGA Equipa Mosaico 1.3

Textos e recolha de Alexandre Lemos, Diogo Santos e Carina Correia | Fotografias de Bruno Figueiredo* | Design de João de Almeida | Desenvolvimento Web de Alcides Fonseca | Revisão editorial de Marta Magalhães | Coordenação de Alexandre Lemos