A cultura da bicicleta

O Paulo Ramirez está ligado ao mundo das bicicletas há vinte anos. Trabalha na loja Slowdown em Aveiro, mas já teve a sua própria loja: a Zé das Bikes. Pertence à Associação de Ciclismo de Aveiro e foi presidente do Galitos durante oito anos, nos quais se conseguiram quatro campeões nacionais.

Ainda não se cansou de organizar eventos relacionados com a bicicleta e são muitos os encontros, passeios, convívios e maratonas com que já conta.

Pedala sempre que pode, mas a sua dedicação é mais desportiva e competitiva. Acha que Aveiro tem condições para a utilização da bicicleta, mas é fundamental apostar nas ciclovias para as pessoas se sentirem seguras. Não percebe como ainda se fazem estradas novas e sem ciclovias. Devia ser obrigatório.

“As ciclovias estão mortas e desleixadas. Se melhorarem haverá logo mais gente a andar”.

Já experimentou a BUGA, uma bicicleta bonita, carismática e com um conceito interessante. Mas quem anda são os turistas e alguns estudantes. Deve ser promovida e revitalizada.

“A BUGA devia ser um projecto auto-suficiente. Podia aproveitar-se para fazer publicidade da cidade e pagar-se a ela própria”.

Para o Paulo, é preciso mais boa vontade do que dinheiro. Além disso, o povo português não ajuda. Ainda não tem a cultura da bicicleta. “Estamos atrasados em relação a outros países europeus, precisamos de ser empurrados”.

Cheio de energia e vontade, a luta para que a bicicleta esteja mais presente na vida dos aveirenses vai continuar.

“Há coisas que custam pouco mas têm um grande significado. É preciso semear a cultura da bicicleta”.