Na cidade dos sete minutos

O Fernando Nogueira é professor na Universidade de Aveiro, mas chegou à cidade há mais de trinta anos. Desde aí que a bicicleta é uma presença constante. Quando arrendou a sua primeira casa, a senhoria disse-lhe que até tinha uma bicicleta para usar.

“Andava nessa bicicleta e fazia tudo com ela. Usava uma daquelas capas amarelas, era o meu fato de ciclista”.

Chamava a Aveiro a “cidade dos sete minutos”, porque era o tempo médio que demorava a chegar a qualquer lado. Havia menos trânsito e as bicicletas eram ainda pouco habituais.

Foi um dos dinamizadores do movimento Massa Critica de Aveiro e sempre lutou para que a bicicleta fizesse parte do dia-a-dia dos aveirenses. O Fernando acha que a bicicleta ainda é vista como meio de lazer e não como um veículo. Muito devido à falta de segurança que as pessoas sentem.

“Estamos a falar de gostar de andar de bicicleta, querer andar com conforto e ao sentir-se confortável, passar a usá-la como meio de transporte”.

O respeito pelo outro é essencial e não vê com maus olhos a mistura ponderada entre carros e bicicletas.

Andou várias vezes de BUGA. Como gosta de dizer, a BUGA nasceu para ser livre e rapidamente ficou enclausurada. Não se investiu no material, nem no marketing, nem na ligação às pessoas e aos seus hábitos.

“A história da BUGA é um pouco triste, porque a BUGA fez mais por Aveiro do que Aveiro fez pela BUGA. Houve uma altura que sempre que se falava de Aveiro, a BUGA surgia”.

Apesar de andar menos de bicicleta, o optimismo continua.

“A BUGA não morreu nem vai morrer. Vamos ver se com este novo fôlego se reanima”.