Filhas de um deus menor

Miguel Caeiro trabalha na Moveaveiro desde 2006, onde exerce o cargo de Diretor Geral. Para o Miguel, Aveiro tem todas as condições para continuar a ser precursora no que diz respeito à mobilidade. “É muito fácil as pessoas se transportarem de bicicleta. Isto também faz parte da cultura” da região.

Mas o percurso das BUGAs tem sido atribulado. “São filhas de um deus menor e não foram acarinhadas como deveriam ser. Sofreram por estarem inseridas numa empresa de transportes públicos”.

E peripécias também não lhe faltam. Uma chegou inclusivamente a ser utilizada como moeda de troca numa oficina de automóveis. “Entregaram a BUGA como pagamento. Entretanto, o senhor estava a ver um programa de televisão e viu que as BUGAs eram de Aveiro. Contactou-nos dizendo Atenção, eu tenho cá uma BUGA mas não fui eu que a roubei”. E até foi esquecida após ter representado Portugal numa exposição de Design. “Mandámos a BUGA para Xangai. Passado algum tempo, tivemos um contacto através do Miguel Duarte, o designer da BUGA, e do Instituto Nacional de Design a dizer que não tinham como devolvê-la”.

O Miguel sente que tem de dar o exemplo e monta sempre nas “BUGAs quando vem cá alguém ou algum programa de televisão”.

“Percebe-se com facilidade que o aumento de utilizações no verão tem a ver com o turismo. Se virmos os preços da utilização de bicicletas em cidades turísticas… Se segmentássemos os utilizadores”, mantendo a gratuitidade da BUGA para estudantes e portadores do passe da Moveaveiro, “poderíamos ter um projecto não sustentável, mas que permitisse pagar aqueles custos mais imediatos e mais necessários para ter o sistema em funcionamento”.