A bicicleta como uma experiência sensorial

O João Oliveira nasceu com as bicicletas e não há grande volta a dar. “O meu avô tinha uma oficina de reparação de bicicletas em Oliveirinha e em Aveiro. O meu tio continua a ter uma oficina. Tive várias bicicletas, embora dedique alguma paixão a uma Peugeot que o meu tio na altura me arranjou e com que fiz grande parte da minha adolescência”.

“A bicicleta ajuda-me a partir em busca daquilo que não conheço. Ajuda-me a conhecer a geografia, as pessoas e a região fantástica que temos”. O João até se pode gabar de conhecer a região como poucos. Deu-lhe na cabeça, e resolveu passar, num único dia, pelas 14 juntas de freguesias que, antes da reforma autárquica, davam forma ao concelho de Aveiro. “Foi muito cansativo. Contabilizei 83 quilómetros, mas foi um dia divertido e conheci sítios muito engraçados”.

Mantém vivo este hábito de descoberta. E até lhe juntou um outro prazer: a comida. “Um vício engraçado com uns amigos, que é sair de Aveiro e ir almoçar a São Jacinto. É giro fazer 60 quilómetros para ir almoçar”. Embora até seja mais fácil encontrar o João a pedalar sozinho. “Gosto mesmo da experiência solitária. A bicicleta como uma experiência sensorial”.

Nunca teve grande ligação com a BUGA. “Quando foi lançada, já eu estava em Lisboa a trabalhar”. A vida profissional também o colocou próximo da organização de provas de ciclismo, como o Grande Prémio Abimota ou a antiga Clássica de Oliveirinha. “O meio de um pelotão de ciclismo é das coisas mais fascinantes que vi.”