Um amigo das Bugas a bordo dos moliceiros

O Gaspar Monteiro é guia de bordo nos moliceiros que atravessam os canais da ria de Aveiro várias vezes ao dia mostrando a cidade aos visitantes. É frequente vê-los passar no canal junto à loja da BUGA e apresentarem as bicicletas da cidade. É assim que começa a relação de muitos turistas com as Bugas.

Activista convicto da bicicleta, pertence a muitos dos grupos locais que questionam a mobilidade e incentivam o uso da bicicleta, como a Massa Crítica de Aveiro e o Aveiro em Transição.

“Com outros colegas tenho vindo a desenvolver acções de formação, acompanhamento e motivação para que as pessoas saiam mais para a via pública de bicicleta”.

O maior problema ainda é o medo de ir para a estrada pedalar. Os maus pisos e a falta de ciclovias são os principais motivos.

“Apesar do código não obrigar, são precisas ciclovias. As pessoas andam no passeio e a sua experiência na estrada é mínima”.

Anda de bicicleta todos os dias, nos percursos quotidianos ou em deslocações para fora da cidade.

“Vou ao Porto muitas vezes de bicicleta”. Conta.

Já usou algumas vezes as Bugas, entusiasta da ideia e do impacto que teve na cidade, mas a sua escolha no dia-a-dia é a bicicleta que já tinha quando a BUGA apareceu.

“Aveiro caiu nas bocas do mundo e fez-se muita coisa: o dia sem carros, a semana da mobilidade, o clube das BUGAs que chegou a ter 1500 inscritos”.

Das conversas diárias com os turistas conta que há três coisas que os maravilham em Aveiro: ser limpa, ter pessoas simpáticas e prestáveis e o sistema de BUGA.

“Quando saem dos moliceiros pegam na BUGA e vão dar as suas voltas turísticas. E ficam admirados de ser totalmente gratuito”.

Tem ideias maduras para o futuro da BUGA, acha que a gratuitidade deve continuar e que existem formas de a manter, como a publicidade. Deve apostar-se numa mobilidade amiga do ambiente e tornar a bicicleta mais segura, com a inclusão de retrovisores, por exemplo.

“Dizer que esta cidade não anda de bicicleta é mentira. Desde o novo ao velho, do lazer ao trabalho, toda a gente anda. A divulgação é que é muito baixa”.