Mulher de coragem

A Fernanda Rodrigues utiliza a bicicleta para tudo, até quando “a chuva é pouca”. Mora em Esgueira, a uns quilómetros de Aveiro, onde trabalha. A sua jornada começa cedo, pelas 7 e picos da manhã, e só regressa a casa com o sol já posto, pelas nove e meia da noite. “Sem medo” e “sem problemas” para “uma mulher de coragem”.

Sempre andou de bicicleta, mas há uns três anos começou a pedalar com a ajuda de um motor eléctrico. A primeira destas bicicletas que teve foi oferecida pelo pai. “Entretanto, ofereci-a ao meu irmão e comprei uma nova. Só a carrego de oito em oito dias. É mais económica e mais levezinha. Faço menos esforço e é só carregar no botãozinho”.

Até nas subidas a nova bicicleta ajuda a Fernanda. “Vir para o trabalho todos os dias de bicicleta e nunca me ter acontecido nada, é a melhor história que tenho para contar”.

Mas já esteve por um triz. “A ir para casa, de noite, um carro capotou e quase me apanhou. Foi mesmo por pouco. Com a bicicleta, tive de subir para cima do passeio”. Ninguém se magoou. Mas a Fernanda pensou com os seus botões “Estou mais segura de bicicleta”.

A Fernanda tem a bicicleta sempre consigo. Por isso nunca andou de BUGA. Mas gosta delas. “Às vezes sento-me ao pé da Ria para almoçar e adoro ver as BUGAs que passam por mim. É muito bonito vê-las pela cidade”.

Mas nem tudo é bonito. A bicicleta da Fernanda foi várias vezes vandalizada. “Desligavam fios, desligavam luzes. Até furaram os pneus”.

Nada que a fizesse desistir. No lugar de deixar a bicicleta nos estacionamentos próprios, começou a colocá-la junto aos sinais de trânsito, em locais mais visíveis. ”Perguntei ao polícia se podia ter ali a bicicleta, ele riu-se e disse que se for preciso envia a multa para casa. Até hoje, felizmente, não aconteceu nada”.